domingo, 25 de novembro de 2007

Alguem

Alguém


Alguém toma uma sensação algo estranha. À sua cabeça sobem-lhe os arrepios, suaves.
Alguém dá-lhe outra nova sensação, os pensamentos,
Voam perdidos no além., algures, em algum lado.
Visões de sonhos distendidos, sombrios olhares,
Vagueiam no meio da multidão, as nuvens lançam-se, na perseguição do nada,
Correm atrás do nada.
Lançam-se fortes, velozes. Por vezes chocam entre si, Guerreiam-se, electrizam-se.
Os pensamentos vão acompanhar, à mesma velocidade.
Alguém tenta de novo a fuga, Alguém não deixa fugir alguém
Ninguém sai daquele círculo, ninguém sai daquele pensamento.
Se alguém consegue fugir, morre ali. Não só ele, como todos.
Todos aqueles, que alguma vez pensaram em alguém.
Se através da fuga, alguém se sentir realizado, se enganará,
Pois atingirá toda uma multidão, com o seu raciocínio egoísta.
Alguém explodirá. Essa explosão servirá de rastilho, para que todos expludam.
Alguém no pensamento chora estendido no vazio de uma cama.
Alguém foi o culpado desse choro, alguém não sentiu as nuvens.
Alguém não olhou para os seus pensamentos a fugirem-lhe.
À frente dos seus olhos o vazio toma alguém. Bebe-o, chupa-o, desencoraja-o.
Tira-lhe a vontade de querer. Alguém à frente dos seus olhos tem um vazio.
Uma mistura de nada com nada. Nada lhe diz respeito. Nada lhe diz nada.
O nada é o vazio. O vazio é tudo o que alguém tem. Alguém tenta fugir do vazio.
Essa sensação de que tudo se evaporou naquela sensação antiga, que não se quis ir.
Podia ir com as nuvens, com os pensamentos. Só que vai e vem.
E com ela traz o vazio, o nada. O vazio, o nada, são parasitas das sensações,
Que se esfumam à nossa frente. O fumo não é mais do que o fim de algo.
Algo que chora com o que lhe estão a fazer. O fumo é as ultimas lágrimas de quem,
Não pode chorar. Mais tarde o fumo se transforma em nada, no vazio.
As lágrimas, essas, vão molhar alguém. Vão-se bater em alguém.
Andar de alguém em alguém, até achar alguém com o vazio nos olhos.
Aí juntam-se o vazio, as lágrimas, vazio esse que já contem o nada, o fumo.
Juntos procuram juntar uma multidão de alguém, a quem possam contagiar,
Os seus pensamentos. As Nuvens são o seu transporte. Elas são de fumo.
Correm atrás do nada, nada esse que está no vazio. Quando um dia encontrarem,
Alguém a quem se possam parasitar, atacar, deixar cair as suas lágrimas.
Por vezes fortes, por vezes fracas, tudo depende de alguém, tudo depende da força do
Circulo que esse alguém tem
Entretanto alguém toma outra sensação. Sente-se que esse alguém, mais dia, menos dia,
vai acabar por ser nada, pois o vazio vai-se apoderar totalmente dele.
Todos um dia vamos ser lágrimas, que nos levarão a sermos fumo, nada, vazios
PR 11/07/1986