quinta-feira, 21 de maio de 2009

VÍCIO

VICIO


Tenho a cabeça a arder,
Os sonhos não acabam.
Na ânsia de te ter.
Nem a realidade os travam.

Há uma corda que se rói.
(há) um querer, um desejo.
Há um sentimento que dói.
(há) uma vontade, de um beijo.

Os olhos que sempre te procuram
A luta entre o querer e o poder.
São situações que perduram.
Em ocasiões de te ver.

Um corpo que faz tentar.
Loucura, doces loucuras.
Um corpo que quer experimentar.
Doçuras, loucas doçuras.

O sofrimento por não ter.
Um desejo não realizado.
O pensamento pelo querer.
Ser perdido, não achado


Há uma corda que se rói.
(há) um querer, um desejo.
Há um sentimento que dói.
(há) uma vontade, de um beijo.


12/01/1989

IMAGINANDO

IMAGINANDO


Imaginar o Voo
E nele viajar
A hora é dos factos
Á parte, as duvidas ainda estão lá

A mente imagina
Raro céu azul em Janeiro
Chuva nas nossas cabeças
Os rios enchem-se

Os factos não se imaginam
Olhando à volta
Todos olham
As dúvidas ainda perduram

A imaginação é livre
Solta os cabelos
Eu gosto de os ver livres
Eles gostam de ser livres

Contudo tudo parte da imaginação
Imaginar-te é um prazer
Desejo ardentemente
Que as dúvidas fossem imaginação

Imaginando um beijo
Uns lábios sedentos
Um corpo acariciado
Imaginando, imaginando-te


14/02/1986

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A REALIDADE (DO RELÒGIO)




A REALIDADE (DO RELÒGIO)



Batem as horas no relógio.
Tu ainda não apareceste.
Aí , começo a imaginar.

Começo a sentir medo, por estar só.
Começo sentir-me pequeno, por estar só.
Só queria estar contigo.

Esta sensação que estou
Debaixo dum céu vermelho
Manchado de sangue.
Deixa-me sem forças.

E continuas sem aparecer.
Cada vez que te olho
Vejo um paraíso.
Onde estamos só os dois.

O relógio bate, certo como sempre.
E eu adormeço.
Com a realidade da vida
Com o bater do relógio.


Tick tock….tick, tock



20/01/1984

A NOSSA NOITE

A NOSSA NOITE


Sinto o teu corpo perto do meu
Tenho uns lábios sedentos
A minha mente precisa de se projectar
O meu corpo, eu, precisam de te amar

Umas mãos leves percorrem um caminho.
As linhas sentem-se, sonha-se, imagina-se
A vontade é de percorre-lo muitas vezes
Dois corpos sentindo um só

Sede de te ter
Vontade de comer
Devorar a maça envenenada
Como Adão o fez

Sente-se um arrepio agradável.
Chegou-se ao cume, ao topo da fantasia
Suor misturado com beijo, muito beijo
Tudo desaparece, só nos vemos aos dois

Um corpo é visitado, revisitado.
A loucura atingiu-nos, ambos queremos mais
Oxalá o tempo não nos fugisse
De novo voltámos à carga, guerreamos amor

A noite é escura
Esconderá os nossos segredos
A noite é bela.
Esta será nossa noite.

Temos os corpos juntos, apertados
Temos uns lábios sedentos
O meu corpo. O teu corpo
Precisam de se amar.

15/04/1986