quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

No Outro Lado de Mim

I – VIDA


A vida existe.
E eu, nela metido
Até aos olhos ou mais

Sobretudo, tudo me foge.
Escoltar alguém, a minha missão.
O que queria? Deixem lá
Tudo o que queria, desabou.

Foi um barco que afundou,
Uma dança que acabou.
Dos sobreviventes, eu perdi-me.
O outro salvou-se.

Só é uma situação.
Sozinho, um estado de só.
Solidão, espírito sozinho
E eu de mãos dadas com a solidão.



II – VINGANÇA


Quando as pombas choram,
Os amigos acorrem.
Olha-se para longe,
E eu aqui tão perto

Vingança pedida,
Pedido recusado.
Não mando em ninguém,
Todos mandam em mim.

Mau, é o que não sou.
Tocado com força, abanei.
Sons inteligentes.
Porque será que as rosas têm espinhos?

E ela não me quer.
Eu que faça o que quiser.
O mal do mundo.
Ver-se só por um lado.

Amor, divide-se em dois.
Duas pessoas, que pensam por dois.
Egoísmo, o mal do amor.
Conclusão, não sou egoísta.

O regresso, em ocasiões,
É impossível, mais que isso.
Por isso não lhe peço.
Que regresse.

Mas o impossível, não sei o que é.
È por sua vez impossível.
Sendo assim desisto e peço-te
Que voltes a ser minha.


III – SONHO


Há em mim algo,
Pudera, tenho tanta coisa.
Tem disto? E daquilo?
Logo vi, aqui não tem nada.

È como eu, tanta coisa.
Só que não é o que quero.
Paciência, é o melhor a ter,
Para aturar isto tudo.

As palavras são rudes.
Os sons não são bonitos.
A verdade por vezes é feia
Os sonhos são lindos.

Bem, mas vamos lá sonhar.
Eu queria, queria, …queria.
Queria não. Quero-te toda
Toda dos pés à cabeça.

De sonhar estou cheio,
As notícias não são risonhas.
O futuro é uma incógnita,
Senão não seria futuro.






IV – LOUCURA

Deixemos isso, vamos caminhando.
Loucura , pode ser a minha doença.
Mas alguns precisam,
De mais cuidados que eu.

Precisava de ser maluco.
Queria fazer uma coisa.
Mas vendo bem as coisas.
O tolo sou eu.

Pois vejamos:
Deixei-te ir com tudo.
Não te fiz nada.
Não te vou fazer nada.
Agora peço-te que voltes.

Sei que amanhã é amanhã.
Que hoje é hoje.
Sei também que foste,
E que estou a ficar desnorteado.


V – VERGONHA

A vergonha pode ser.
O que nós quisermos.
Só que há quem não a tenha,
E nós quiséssemos que a tivesse.

Todos me olham com pena.
Coitado lá vai ele,
Com as mãos nos bolsos.
Digo-vos, penas têm as galinhas.

Essas coitadas, só servem.
Para por ovos, e ficar sem pescoço.
Depois são comidas.
Será que eu fui comido também?

Era capaz de fazer alguma coisa.
Se tivesse as certezas.
Curava esta doença,
Que em vão me atacou.

Pois não precisa de atacar
Já que o vírus não me larga
A doença é crónica.
A minha única dor és tu.

VI – BRINCADEIRA

De volta ao começo
Digamos que fui um brinquedo.
Duvidosa brincadeira.
Quem brinca com fogo, queima-se

Caras tristes, chorosas.
Alma perdida por aí.
Confusão nas outras pessoas.
Atordoado com o que se está a passar.

Eu hei-de seguir,
Eu hei-de seguir.
Para onde? Não sei.
Talvez para nenhum lado.

Na tentativa de mim.
Andam, buscam, estragam-se.
Forma-se um muro.
O amor atraí.

Atracção física,
Busca da imaginação.
Fuga à realidade,
Fuga à verdade.

As unhas cravaram-se,
Num dialogo, numa esperança.
Para alem disso,
Resumiu-se em nada.

Simplesmente nada.



Paulo Ramoa
18-30/09/1985
Enviar um comentário