sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

GRITA








GRITA



GRITA, Eu vou ouvir.
Os sentimentos que escondes
Explode. Mostra o teu querer
Expulsa. Evade todo o teu prazer


GRITA, nada é mais simples.
Do que unicamente pedir
Sem medo, sem orgulho.
O que desejas sentir


Ao gritar, irás expressar.
Vontades nunca imaginadas.
O fascínio das palavras.
A força dos sons.


GRITA. Eleva-te ás estrelas.
Percorre todas as delicias.
Escorrega nos teus sonhos.
Nos segredos mais queridos.


GRITA. Sou todo ouvidos
Ouvirei que sente o teu ser.
Sôfrego por não se realizar
Pensando que nunca iria amar.


Outubro 1990

domingo, 25 de janeiro de 2009

FOLHA BRANCA





FOLHA BRANCA
(SEM ELA NOTAR SEM A MAGOAR)


Tenho à minha frente, uma folha.
Uma folha branca
Calma, ela espera a violação.
Sem ela notar, sem a magoar

Olho para ela, volto a olhar.
Dá-me pena vê-la branca, vazia.
A tinta, correr-lhe-á pelo seu corpo
Sem ela notar, sem a magoar.

Brilhante a tinta sai da caneta
Inspiração do momento, de quem a comanda
Ideias, pensamentos, duvidas, vidas
Sem ela notar, sem a magoar

E ela sorri, sorri para quem a vê
A vê e a viu, branca, vazia.
(Ela) agora é alguém, subiu na vida
Sem ela notar, sem a magoar.

19/06/1986

QUEBRAR O SILENCIO






QUEBRAR O SILENCIO


Quebrei o silêncio
O silencio das minhas palavras.
Apaguei os sons
Sons que me confundiam.

As pedras estão seguras
Não desabam
A água continua limpa
Com sede a beberás

As luzes apagaram-se
Na imensidão do nada
Tudo voltou ao normal
Á rotina diária

Voltei a quebrar o silêncio
O silencio da língua
Apaguei os sons
Os sons de mim

18/06/1986

A NOITE DA CONQUISTA

A NOITE DA CONQUISTA


Após estas palavras
Te localizarei. Atarefado.
Irei esconder-te num local seguro
Lá iremos cultivar o nosso ideal.

Uma longa noite de prazer.
A imaginação foi-nos buscar
E levou-nos pelo seu corpo
E nós imaginando a nossa paixão.

Acabo de descobrir um jogo.
O jogaremos da próxima vez
Que algo nos toque fundo
E sentiremos, o nosso calor

O teu corpo sempre presente.
O mar, a planície, a montanha.
Tudo de difícil conquista
Como o teu amor.


14/01/1986

Excitar






EXCITAR

Posso pôr-te a delirar,
Com um simples movimento.
Num momento posso acabar.
Com todo o teu sofrimento.

Não te prometo o céu.
Simplesmente excitação.
Do querer, do poder.
Ser corpos em levitação.

Sensações, visões, distorções.
Alívios, suspiros, respirações
Pensamentos, Tormentos, lamentos.
Atracções, altas tensões.

Excitar-te é o meu instinto
Levar-te a sentir
Os poderes do teu corpo.
Num ser faminto.


Julho 1989

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Maldição







Maldição


Ela irá chegar sóbria e quente.
Entrará na tua mente.
E fará te recordar.
Tudo o que me fizeste passar.


De manhã acordarás com a minha figura.
Durante o dia irás ver como a vida é dura
Sofrerás até compreenderes,
Que afinal, não tens tantos poderes.


O meu nome ficará cravado no teu pensamento.
No teu cérebro momento a momento.
Ao chamares por alguém, chamarás por mim.
Este pesadelo não vai ter fim.


Nos teus sonhos lá estarei.
A tua vida seguirei.
Para no final ser eu o juiz.
Pagarás tu, pelo o que não fiz

16/10/1988
Paulo Ramoa

Neste Local





Neste Local


Neste local.
Perdido no meio de tudo.
Haverá outro melhor?


Antes, já foi diferente.
Depois foi o que foi.
Foi um sentimento.
Uma acção, uma vida…….(Neste Local)


O nome, está perdido,…….(Neste local)
Por entre seres,
Sem nome.
O mundo escondeu-se……(Neste local)


Perdeu-se tudo……………(Neste local)
Voltamos ao passado.
Tudo é diferente.
Os números, as letras.


O desgaste da vida
Batalhas queridas
Passeios nocturnos.
Sob a vista da lua…………(Neste local)


Tentativas goradas
Multidão de ninguém
Desfiles nas avenidas ……..(Neste local)


Chuvas desnorteadas.
O norte está aqui…………..(Neste local)
O sul ali……………………(Neste local)


Suplicas dobradas.
Sobre alguém
Que se não acha……………Neste local


Os sonhos .
Não se realizam……………Neste local


Atirai pedras……………….A este local
Desfazei as ruas……………Deste local
Choro desfeito
Em lágrimas duras.


Donos sem cargo.
Liberdade, prisão.
Estradas de nuvens
Tomam posições.
Cara a cara,
Corpo a corpo……………..Neste local


Arvores desfolham-se……..Neste local
Medo possessivo
Olhares traiçoeiros
Fugitivo do fogo…………..Neste local


Temor, raiva
È tudo fingido.
Nos Deuses de agora………Deste local
Jogadores ocultos………….Neste local


Jogadas apagadas
Traição, traição
Fotografias vigiadas
Traição, traição…………….Neste local


Sons de tambores.
Choros convulsivos
Adoração fanática.
Desgostos, desgostos………Neste local

18/04/1985
Paulo Ramoa

Homem Só




Homem Só



Um Homem só, caminha.
Perdido no pensamento.
Simplesmente conta os passos,
Sem de isso ter a noção.

Com a pele queimada,
Peço sol, pela vida.
Assalta ilusões sem querer.
Recebe desilusões sem as perceber.

Um Homem só
Sente-se ausente
Cresce nele a ânsia.
Um Homem só. Sofre.

Cansado e amargurado,
Luta pelo seu ideal.
Por vezes sonha acordado.
Aos poucos enlouquece, atordoado.

Um Homem só.
Vagueia pelo luar.
Olha as estrelas.
Esquece o passado.


Paulo Ramoa
Julho 1990

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

No Outro Lado de Mim

I – VIDA


A vida existe.
E eu, nela metido
Até aos olhos ou mais

Sobretudo, tudo me foge.
Escoltar alguém, a minha missão.
O que queria? Deixem lá
Tudo o que queria, desabou.

Foi um barco que afundou,
Uma dança que acabou.
Dos sobreviventes, eu perdi-me.
O outro salvou-se.

Só é uma situação.
Sozinho, um estado de só.
Solidão, espírito sozinho
E eu de mãos dadas com a solidão.



II – VINGANÇA


Quando as pombas choram,
Os amigos acorrem.
Olha-se para longe,
E eu aqui tão perto

Vingança pedida,
Pedido recusado.
Não mando em ninguém,
Todos mandam em mim.

Mau, é o que não sou.
Tocado com força, abanei.
Sons inteligentes.
Porque será que as rosas têm espinhos?

E ela não me quer.
Eu que faça o que quiser.
O mal do mundo.
Ver-se só por um lado.

Amor, divide-se em dois.
Duas pessoas, que pensam por dois.
Egoísmo, o mal do amor.
Conclusão, não sou egoísta.

O regresso, em ocasiões,
É impossível, mais que isso.
Por isso não lhe peço.
Que regresse.

Mas o impossível, não sei o que é.
È por sua vez impossível.
Sendo assim desisto e peço-te
Que voltes a ser minha.


III – SONHO


Há em mim algo,
Pudera, tenho tanta coisa.
Tem disto? E daquilo?
Logo vi, aqui não tem nada.

È como eu, tanta coisa.
Só que não é o que quero.
Paciência, é o melhor a ter,
Para aturar isto tudo.

As palavras são rudes.
Os sons não são bonitos.
A verdade por vezes é feia
Os sonhos são lindos.

Bem, mas vamos lá sonhar.
Eu queria, queria, …queria.
Queria não. Quero-te toda
Toda dos pés à cabeça.

De sonhar estou cheio,
As notícias não são risonhas.
O futuro é uma incógnita,
Senão não seria futuro.






IV – LOUCURA

Deixemos isso, vamos caminhando.
Loucura , pode ser a minha doença.
Mas alguns precisam,
De mais cuidados que eu.

Precisava de ser maluco.
Queria fazer uma coisa.
Mas vendo bem as coisas.
O tolo sou eu.

Pois vejamos:
Deixei-te ir com tudo.
Não te fiz nada.
Não te vou fazer nada.
Agora peço-te que voltes.

Sei que amanhã é amanhã.
Que hoje é hoje.
Sei também que foste,
E que estou a ficar desnorteado.


V – VERGONHA

A vergonha pode ser.
O que nós quisermos.
Só que há quem não a tenha,
E nós quiséssemos que a tivesse.

Todos me olham com pena.
Coitado lá vai ele,
Com as mãos nos bolsos.
Digo-vos, penas têm as galinhas.

Essas coitadas, só servem.
Para por ovos, e ficar sem pescoço.
Depois são comidas.
Será que eu fui comido também?

Era capaz de fazer alguma coisa.
Se tivesse as certezas.
Curava esta doença,
Que em vão me atacou.

Pois não precisa de atacar
Já que o vírus não me larga
A doença é crónica.
A minha única dor és tu.

VI – BRINCADEIRA

De volta ao começo
Digamos que fui um brinquedo.
Duvidosa brincadeira.
Quem brinca com fogo, queima-se

Caras tristes, chorosas.
Alma perdida por aí.
Confusão nas outras pessoas.
Atordoado com o que se está a passar.

Eu hei-de seguir,
Eu hei-de seguir.
Para onde? Não sei.
Talvez para nenhum lado.

Na tentativa de mim.
Andam, buscam, estragam-se.
Forma-se um muro.
O amor atraí.

Atracção física,
Busca da imaginação.
Fuga à realidade,
Fuga à verdade.

As unhas cravaram-se,
Num dialogo, numa esperança.
Para alem disso,
Resumiu-se em nada.

Simplesmente nada.



Paulo Ramoa
18-30/09/1985

terça-feira, 14 de outubro de 2008

CINZENTO







CINZENTO



Dos olhos surgia um sonho desfeito.
Um incorrigível tom de desalento.
Foi uma sedução sem brilho, amordaçada.
Uma fonte de lágrimas, um rompimento

O Céu esboçava uma cor adormecida.
Um longo passado muito lento.
Foi uma história sem razão silenciada.
Uma suspeita de amor, um sofrimento.

O corpo sugeria um insensato efeito.
Um ofegante segredo, um momento.
Uma noite sem fim, atraiçoada.
Uma tentação de amor, um instrumento.

Um som imitava uma voz enternecida.
Um insensível desejo, de tormento.
Uma vida sem dó, assassinada.
Uma sombra de medo, um movimento,


10/1992

SUBTILEZAS (As conquistas calmas)



SUBTILEZAS (As conquistas calmas)


Naquele corpo, há mistérios por desvendar
Na sua mente, há desejos por matar.
Cada dia é um sonho, uma nova tentação.
È um diferente despir, um toque de emoção.

Há ideias novas a experimentar,
Em envoltos ambientes, ….sem forçar.
Chocando interesses, por vezes distantes.
Ignorando o tempo, esquecendo os instantes.

Trazendo vitórias, espécies de consagrações
Escapadas da moral, como que ilusões.
São imagens reflectidas, em tela inacabada.
Deslocadas da realidade, duma ideia incontrolada.

São conquistas, provenientes da alma.
São viagens de prazer, devoradas com calma.


28/09/1990

quinta-feira, 22 de maio de 2008

MADRUGADA










MADRUGADA


Pela madrugada dentro, numa noite vazia de significado.
A vida é modificada, é sonhadora.
Vultos passeiam. A noite é tentadora

E mergulhamos na escuridão, num misto de cores estranhas.
Num ambiente de culto, que cativa,
Com um som avassalador, que motiva.

O corpo, a mente, a atingir o ébrio, uma espécie de fuga de libertação.
Uma evasão de sentimentos, de frustrações
Um conjunto de ideias, de emoções.

Dança-se até á saturação, percorrendo sonhos, criando mitos.
Com olhares desviados, a cultivar tentações.
Há passos inovadores, a chamar atenções

Pessoas a tentar matar a solidão, gastam horas simplesmente em vão.
Procuram consolo, uma companhia.
Buscam desesperadamente uma alegria

Inventam-se paixões momentâneas, cheias de emoção, de desejo.
Invadem-se caminhos proibidos.
Experimentam-se delicados sentidos.

Pela madrugada dentro, há pessoas a matar a solidão.
Mergulham na escuridão.
Dançam até á saturação


Out.1990

LUZ




LUZ

A Luz não se irá apagar.
Sem que tu saibas a verdade.
E depois vais voltar,
Com a tua bondade.

Não mais te vou esquecer.
Porque tu me vais querer.
Porque eu te quero ter.
Para não mais te perder.

Eu irei cantar-te
Até mais não saber.
Não te quero perder.
Não te quero deixar.

Meu amor, vem amar.
Para te compreender.
Nunca mais hei-de ter.
Palavras para te louvar.

A Luz não se irá apagar
A luz para não te perder
Até eu querer.
Meu Amor vou-te beijar


29/11/1983

quarta-feira, 19 de março de 2008

REFUGIO



                                                Refúgio

Em cada um de nós há um céu (um planeta distante, um local de refúgio) de tréguas

Afirmação inicial feita num período de inspiração momentânea

Em cada um de nós há um céu, em que num momento nos recordamos de alguém que gostaríamos de ter conhecido melhor.

O Céu pode ser tudo, o universo, um pouco de pó, uma figura, um nome .

Céu, pode ser uma menina que eu quero.

Todos nós podemos ter um planeta, algo que rode à nossa volta , imaginando que somos um sol.

Eu quero ter um planeta só meu

Um local de refúgio podemos ser nós mesmos, 
um local de refúgio pode ser alguém em que esse local de refúgio seja mútuo, 
onde nada existisse a não ser o momento

Eu queria ter e ser um local de refúgio

Um Céu é um planeta distante, um local de refúgio, algo inexistente na vida de cada um.

domingo, 25 de novembro de 2007

Alguem





Alguém


Alguém toma uma sensação algo estranha. À sua cabeça sobem-lhe os arrepios, suaves.
Alguém dá-lhe outra nova sensação, os pensamentos,
Voam perdidos no além., algures, em algum lado.
Visões de sonhos distendidos, sombrios olhares,
Vagueiam no meio da multidão, as nuvens lançam-se,
Na perseguição do nada, Correm atrás do nada.
Lançam-se fortes, velozes. Por vezes chocam entre si, Guerreiam-se, electrizam-se.
Os pensamentos vão acompanhar, à mesma velocidade.
Alguém tenta de novo a fuga, Alguém não deixa fugir alguém
Ninguém sai daquele círculo, ninguém sai daquele pensamento.
Se alguém consegue fugir, morre ali. Não só ele, como todos.
Todos aqueles, que alguma vez pensaram em alguém.
Se através da fuga, alguém se sentir realizado, se enganará,
Pois atingirá toda uma multidão, com o seu raciocínio egoísta.
Alguém explodirá. Essa explosão servirá de rastilho, para que todos expludam.
Alguém no pensamento chora estendido no vazio de uma cama.
Alguém foi o culpado desse choro, alguém não sentiu as nuvens.
Alguém não olhou para os seus pensamentos a fugirem-lhe.
À frente dos seus olhos o vazio toma alguém. Bebe-o, chupa-o, desencoraja-o.
Tira-lhe a vontade de querer. Alguém à frente dos seus olhos tem um vazio.
Uma mistura de nada com nada. Nada lhe diz respeito. Nada lhe diz nada.
O nada é o vazio. O vazio é tudo o que alguém tem. Alguém tenta fugir do vazio.
Essa sensação de que tudo se evaporou naquela sensação antiga, que não se quis ir.
Podia ir com as nuvens, com os pensamentos. Só que vai e vem.
E com ela traz o vazio, o nada. O vazio, o nada, são parasitas das sensações,
Que se esfumam à nossa frente. O fumo não é mais do que o fim de algo.
Algo que chora com o que lhe estão a fazer. O fumo é as ultimas lágrimas de quem,
Não pode chorar. Mais tarde o fumo se transforma em nada, no vazio.
As lágrimas, essas, vão molhar alguém. Vão-se bater em alguém.
Andar de alguém em alguém, até achar alguém com o vazio nos olhos.
Aí juntam-se o vazio, as lágrimas, vazio esse que já contem o nada, o fumo.
Juntos procuram juntar uma multidão de alguém, a quem possam contagiar,
Os seus pensamentos. As Nuvens são o seu transporte. Elas são de fumo.
Correm atrás do nada, nada esse que está no vazio. Quando um dia encontrarem,
Alguém a quem se possam parasitar, atacar, deixar cair as suas lágrimas.
Por vezes fortes, por vezes fracas, tudo depende de alguém, tudo depende da força do
Circulo que esse alguém tem
Entretanto alguém toma outra sensação. Sente-se que esse alguém, mais dia, menos dia,
vai acabar por ser nada, pois o vazio vai-se apoderar totalmente dele.
Todos um dia vamos ser lágrimas, que nos levarão a sermos fumo, nada, vazios
PR 11/07/1986